A mais antiga forma que se conhece do topónimo Aveiro, data de 959, altura em que a condessa Mumadona Dias doa em testamento toda a região ao mosteiro de Guimarães. "Suis terras in Alauario et Salinas" é esta a primeira referência conhecida.

É contudo, no século XIII que Aveiro é elevada à categoria de vila, desenvolvendo-se a povoação à volta da igreja principal, consagrada a S. Miguel. Monumento secular acabou por ser destruído em 1835 dando lugar ao que é hoje a Praça da República.

Era já vila a alguns anos quando D. João I, a conselho de seu filho, Infante D. Pedro, que, na altura, era donatário de Aveiro, mandou rodeá-la de muralhas. Uma fortaleza que vem a ser destruída apenas no século XIX, sendo parte das pedras utilizadas na construção dos molhes da barra nova.

Chega o ano de 1434 e o rei D. Duarte concede à vila o privilégio de realizar uma feira franca anual. Lugar de almocreves que conseguiu resistir ao tempo chegando aos nossos dias como a Feira de Março.

Ainda no século XV, mas no ano 1472, a filha de Afonso V, Infanta D. Joana, entra no Convento de Jesus, onde viria a falecer a 12 de Maio de 1490. Efeméride recordada actualmente, no feriado municipal. A estada da filha do rei teve importantes repercussões para Aveiro, chamando a atenção para a vila e favorecendo o seu desenvolvimento.

O primeiro foral conhecido de Aveiro é manuelino e data de 4 de Agosto de 1515, constando do Livro de Leituras Novas de Forais da Estremadura.

Desde muito cedo a vila foi fixando população, sobretudo devido à sua situação geográfica. O desenvolvimento, esse, deve-o às actividades de salinagem, de pescas e de comércio marítimo.

Apesar dos atractivos, no final do século XVI, princípios do XVII vai registar-se um forte movimento de emigração populacional que leva à significativa diminuição do numero de habitantes. A razão desta mudança ficou a dever-se à instabilidade da vital comunicação entre a Ria e o mar que levou ao fecho do canal, impedindo a utilização do porto e criando condições de insalubridade provocadas pela estagnação das águas da laguna. Com menos população, Aveiro protagoniza uma grave crise económica e social. Foi, porém, e curiosamente, nesta fase de recessão que se construiu, em plena dominação filipina, um dos mais notáveis templos aveirenses: a igreja da Misericórdia.

Chega o ano de 1759 e D. José I eleva Aveiro a cidade. Anos mais tarde, em 1774, a pedido de D. José, o papa Clemente MV instituiu uma nova diocese, com sede em Aveiro.

Já no século XX, a cidade vai ocupar a linha da frente das lutas liberais com personalidades como José Estêvão Coelho de Magalhães a destacarem-se pela sua actividade. Este parlamentar desempenhou ainda um papel determinante no que respeita à fixação da actual barra e no desenvolvimento dos transportes, sobretudo, a passagem da linha de caminho de ferro Lisboa-Porto.

 

 

Texto de Joana Simões especialmente para o regiaocentro.net
*Fotos participantes do 1o. Concurso Fotográfico RC. Reproduzidas em concordância com o regulamento do Concurso.